Habemus papam! Como se escolhe um Papa Mário Eugênio Saturno
O
ritual da eleição ou escolha de um Papa foi detalhado pelo papa
Gregório X, entre 1621 e 1622. Qualquer adulto do sexo masculino
pode ser papa, porém, há muitos séculos que só cardeais têm sido
escolhidos. Assim que um papa morre, chama-se o Camerlengo, que é o
chefe do Sacro Colégio de Cardeais. De pé, ao lado do corpo, ele
toca três vezes na testa do papa com um martelinho de prata e o
chama por três vezes pelo nome de batismo. Então, ele anuncia o
faleci Depois, o Camerlengo inicia os preparativos para o enterro e
os nove dias de luto. E também ai organizar a eleição do próximo
papa. Depois de 15 ou 20 dias, o Sacro Colégio de Cardeais se reúne
para a eleição. Essa reunião é chamada Conclave, que quer dizer
local que pode ser trancado de forma segura. O local do conclave é a
Capela Sistina. Todos os cardeais devem participar do conclave,
mesmo que estejam sob censura, ou tenham sido excomungados. Enquanto
durar a reunião, eles ficarão absolutamente isolados do mundo,
recolhidos em aposentos especiais. Para abrir o Conclave, uma missa
é celebrada na Catedral de São Pedro. Cada cardeal faz o voto de
manter a eleição em segredo e todos rezam para que o Espírito Santo
inspire suas escolhas, estando presente nas deliberações. As salas
são examinadas em busca de microfones, as entradas são seladas e as
cortinas fechadas. Na Capela Sistina, as cadeiras altas têm um
baldaquim de cor púrpura, uma espécie de cobertura. A cor púrpura é
a cor do luto e também da realeza. O trono do papa é removido. Seis
velas são acesas no altar, onde está o cálice sagrado que receberá
os votos Os cardeais adentram a Capela sem chapéu. As cabeças
descobertas e os baldaquinos simbolizam que a autoridade suprema
nasce apenas dessa reunião e que não pertence a nenhum deles,
individualmente. Quando não se reúnem na Capela Sistina, os cardeais
ficam em suas celas. Cada um toma as refeições reservadamente e cada
cela é fechada por um tecido, na cor púrpura, se o cardeal foi
escolhido por aquele papa ou verde em caso contrário. Quando não
desejam ser perturbados, eles podem fechar a porta, cuja moldura tem
o formato de uma cruz em diagonal, conhecida como a Cruz de São
André. Os cardeais devem ficar sempre juntos e todos os aposentos
são próximos o bastante para que eles sejam p O voto é secreto.
Antes, um papa era eleito com dois terços dos votos mais um. O Papa
João Paulo II mudou essa regra, agora basta ocorrer maioria
absoluta, ou seja metade dos votos mais um. Duas eleições acontecem
por dia, uma pela manhã e outra à tarde. Depois de cada sessão, os
papéis da votação são queimados. Enquanto não se escolhe o papa, uma
substância é adicionada para que se produza fumaça negra que sairá
pela chaminé, no telhado do Quando um papa é escolhido, o deão, ou o
mais velho dos cardeais, pergunta ao novo papa se ele aceita a
eleição e por qual nome quer se tornar conhecido. A mudança do nome
acontece desde o século 10 e é uma lembrança de que Jesus mudou o
nome de São Pedro Quando o novo papa aceita a escolha, todos os
baldaquinos dos tronos são levantados, menos o do escolhido. Os
papéis da votação são queimados e a fumaça branca avisa ao povo um
novo papa foi eleito. O escolhido é, então, levado para um quarto ao
lado e veste as roupas de papa. Os cardeais prestam a ele sua
primeira homenagem. O deão vai até o balcão e proclama: Habemus
papam! (Temos um papa). E o novo pontífice aparece no balcão para
abençoar a multi
Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da
Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino
Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado mariano.
O dilema do primeiro emprego
Milton Mira Assumpção Filho*
Segundo
o Ministério do Trabalho, 45% dos desempregados no Brasil estão na
faixa entre 16 e 24 anos. Assim, justifica-se plenamente o "Primeiro
Emprego", instituído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com
a sanção da Lei 10.748, em 22 de outubro de 2003. Porém, em dezembro
de 2004, 14 meses após ser lançado, o programa contabilizava 2.585
contratações (equivalentes a somente 1% da meta de empregar 250 mil
jovens) e 4.387 empregadores inscritos, num universo de 800 mil
empresas convidadas. Nem mesmo a medida provisória baixada em meados
de 2004, aumentando para R$ 1,5 mil por jovem contratado/ano o
incentivo às empresas e autorizando a demissão durante a vigência do
convênio, foi suficiente para estimular participação mais ampla.
Persiste, assim, imenso abismo entre a boa intenção e os resultados
práticos do programa. Seu fracasso torna-se mais agudo perante a
opinião pública devido ao alarde com que foi lançado. A verdade é
que não há milagre na criação de empregos. Esta meta só pode
alcançada por meio do binômio "crescimento econômico/educação". É
preciso criar vagas em escala no mercado de trabalho e capacitar os
brasileiros a ocupá-las. Nas duas vertentes, contudo, o País tem
capengado. No plano econômico, insiste-se numa política monetarista
de juros e impostos elevadíssimos e câmbio sobrevalorizado (que
prejudica a exportação), como se fossem as únicas alternativas para
controle da inflação e equilíbrio fiscal. Resultado: a produção
industrial caiu pelo terceiro mês consecutivo, inibindo a
contratação de trabalhadores. Em contrapartida, a cada ano nascem
2,7 milhões de brasileiros e milhões de estudantes graduam-se na
universidade, passando a disputar o mercado de trabalho com
profissionais de mais idade, inclusive os desempregados. Assim, não
basta que o PIB cresça esporadicamente em um exercício, como em
2004. O Brasil precisa de expansão econômica sustentada. Quanto à
educação, apesar dos inegáveis avanços nos últimos 10 anos, ainda é
preciso investir na qualidade. Diploma universitário não significa
qualificação profissional e intelectual. Isto começa na Educação
Infantil, avança no Ensino Fundamental e Médio, na Universidade,
pós-graduação e educação continuada. Muitos estudos, inclusive
internacionais, demonstram as lacunas de qualidade do ensino
brasileiro, em especial nas escolas públicas, da alfabetização ao
Terceiro Grau do Ensino Médio. Este problema torna díspares as
oportunidades, estigmatizando quem não pode recorrer ao ensino
particular. Também deve ser analisado o currículo das universidades,
aquilatando se atendem aos requisitos atuais do trabalho. É inegável
que a Nação está em dívida com as novas gerações. É necessário
melhorar o ensino, implementar de forma efetiva os cursos técnicos
previstos na Lei de Diretrizes e Bases de 1996 - principalmente no
setor público - e criar oportunidades para que os jovens ingressem
no mercado de trabalho de maneira profissional e digna. O Primeiro
Emprego pode até contribuir para isto, mas tem ínfimo alcance diante
da magnitude do problema, que precisa ser encarado com mais força e
competência. *Milton Mira de Assumpção Filho, diretor da Editora M. Books, é membro da Academia Brasileira de Marketing
(miltonmira@terra.com.br).
O que falta às telecomunicações
Carlos Eduardo Rocha *
Exemplo inquestionável de expansão e desenvolvimento na última
década, o desafio do serviço de telefonia no País já não é mais
fazer com que o aparelho de telefone esteja ao alcance da população
na hora que lhe convier, embora ainda haja pequenas correções a
serem feitas com relação à disponibilidade do serviço. A maior
missão do setor, a partir de 2005, é tornar esse meio um instrumento
de auxílio à educação e à informação das classes menos favorecidas,
através da rede mundial de computadores. Para isso, projetos do
governo não bastarão. Será necessário o envolvimento consciente de
operadoras de telefonia e provedores de acesso neste desafio. Os
benefícios incalculáveis suscitados pela modernização das
telecomunicações no País, no que se refere à emissão e recebimento
de mensagens faladas, precisa transcender ainda mais e se tornar
também objeto de desenvolvimento e apoio educacional, utilizando o
recurso de transferência de dados que a linha telefônica permite. O
sistema de telefonia brasileiro, considerado um dos dez maiores do
mundo, com uma rede fixa capaz de atender mais do que o número
existentes de usuários, inclusive os potenciais, e que viabilizou
milhares de operações em nome do fortalecimento econômico
brasileiro, tem, a partir do próximo ano, um compromisso de se
engajar definitivamente nessa cruzada de disponibilizar de maneira
ampla e irrestrita o conhecimento à população mais necessitada,
utilizando a poderosa rede mundial de computadores. A realidade é
que precisam sair do papel, de forma urgente, os projetos de
implantação de infra-estrutura de acesso à internet pela rede de
telecomunicações, principalmente às escolas e bibliotecas
freqüentadas por cidadãos de baixa renda desse imenso território
nacional. É isso que falta para massificar no País as
telecomunicações, independentemente de qualquer regra já
estabelecida entre o poder concedente e as operadoras. Não há
construção sólida de uma país sem investimento em educação. E, neste
aspecto, o quadro atual é extremamente preocupante. A contribuição
das empresas de telecomunicações e tecnologia e o governo é definir
já como fazer deslanchar esse grande projeto. A aplicação dos
recursos do Fundo de Universalização das Comunicações (Fust) é hoje
o maior meio disponível para isso. No entanto, é necessário que se
faça a regulamentação de utilização deste Fundo o quanto antes,
colocando nas discussões sobre o assunto as vantagens sociais do
recurso à frente dos interesses das partes envolvidas. Nesta tarefa
de desenvolvimento da infra-estrutura de acesso à internet de forma
extensiva, investimentos serão importantes e imprescindíveis,
devendo ser pensados e friamente calculados, sem gerar prejuízo a
qualquer participante do processo. Porém, o componente da
responsabilidade deste papel educacional deve seguir junto. Se as
telecomunicações já fizeram história em tão pouco tempo, porque
colocaram os cidadãos dos quatro cantos do Brasil para se
comunicarem, é hora de contribuir de maneira mais decisiva para a
formação educacional da população. É o que falta para as
telecomunicações serem definitivamente o setor líder dos novos
tempos no Brasil.
*Carlos Eduardo Rocha é diretor de telecomunicação da consultoria
BearingPoint. |
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